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25 Outubro 2006

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09/11/06
PF prende 7 suspeitos de operação de fraude com ações

A Polícia Federal prendeu hoje sete pessoas que supostamente prepararem uma venda fraudulenta de ações no valor de R$ 120 milhões no mercado financeiro. Batizada de operação "Reação", a apuração monitorada pelo Ministério Público Federal foi desencadeada há um ano. O alvo principal do esquema eram papéis da Petrobrás, mas outras empresas estavam também na mira, como a Companhia Vale do Rio Doce.

Foram também cumpridos 45 mandados de busca e apreensão, que resultaram no confisco de três veículos e documentos. As ações da Petrobrás que eram alvo da fraude estavam sob custódia de uma agência do Banco do Brasil, em São Paulo. A PF chegou a pedir a prisão de um gerente da instituição, mas o pedido foi negado, informou o chefe do Núcleo de Operações da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, delegado Fábio Andrade. Do total de detenções realizadas ontem, cinco foram em São Paulo e duas no Rio. Após serem denunciados, os envolvidos poderão ser indiciados pelos crimes de falsificação de documentos, corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha.

No Rio, a PF só revelou o nome de dois envolvidos: o empresário Fernando Cézar, morador de Irajá, na zona norte do Rio, e o economista Henrique Mitão, preso em Ramos, também na zona norte. Ele chegou a pular do segundo andar de seu prédio para tentar escapar, mas quebrou a perna. De acordo com o delegado, um dos carros apreendidos estava no nome de um dos acionistas que seriam lesados na transação. Isso pode indicar que a quadrilha teria conseguido concretizar algumas operações fraudulentas.

As investigações tiveram início com a quebra do sigilo telefônico dos suspeitos, autorizada pela Justiça. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que fiscaliza e regula o mercado financeiro, não foi avisada por causa do sigilo da investigação. Andrade diz que originalmente a quadrilha realizava clonagem de cartões de crédito e queria migrar para a fraude eletrônica, com a ajuda de um hacker. Há ainda indícios de crimes desse grupo que podem ter ocorrido em Salvador.

No entanto, o esquema final acabou sendo montado com falsificações de documentos de identidade e CPFs. Assim, por meio de procurações falsas e criação de contas bancárias fraudulentas, integrantes da quadrilha se passavam por procuradores de um grupo de acionistas, com o intuito de vender as ações, por meio de Ordens de Transferência de Ações (OTAs). No entanto, a PF avisava o banco dessas operações e conseguia bloquear as ações. "Como estávamos controlando os passos da quadrilha, conseguíamos detectar quando eles davam entrada na ordem de transferência de ações. Então, de certa forma, bloqueamos o interesse final deles, que era conseguir vender as ações no mercado financeiro", diz Andrade.

O esquema, relata o delegado, teve início com um corretor do Rio com acesso a uma lista de acionistas. Segundo ele, há duas relações conflitantes apreendidas pela PF, uma com 42 nomes e outra com 25. As investigações ainda vão identificar o número exato de vítimas da fraude. Esse corretor convidou o economista Henrique Mitão, que tinha contato com um casal de São Paulo com acesso ao mercado financeiro e à abertura de contas fraudulentas.

"O casal de São Paulo tinha contato com um empresário do Rio de Janeiro (Fernando Cézar), que conseguia reconhecer firma nas procurações, por meio de um cartório em Curitiba", diz Andrade. O corretor mencionado tinha um mandado de prisão no Rio, mas a PF descobriu que ele já estava preso, em Brasília, desde fevereiro, por causa de outras fraudes.

Fonte: Atarde

 

 

 

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